O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teve um cartão de crédito de bandeira americana bloqueado pelo Banco do Brasil em decorrência das sanções impostas contra ele pelos Estados Unidos, com base na Lei Magnitsky.
Segundo apuração do jornal Valor Econômico, o tipo exato da bandeira não foi detalhado, mas, conforme o portal Metrópoles, tratava-se de um Mastercard. Em substituição, o banco ofereceu a Moraes um cartão Elo, bandeira brasileira controlada pelo próprio BB, além do Bradesco e da Caixa, que não mantém operações nos Estados Unidos e, por isso, não sofre impacto direto das restrições.
O Banco do Brasil não se manifestou oficialmente sobre o caso. Já outras instituições consultadas ressaltaram que, em razão do sigilo bancário, não podem confirmar vínculos do ministro como cliente. As bandeiras de cartões, por sua vez, são apenas intermediárias do arranjo de pagamento e não têm acesso direto às informações do portador.
O episódio ocorre em meio a um ambiente de cautela no setor financeiro, após a aplicação da lei americana contra Moraes. Em evento recente em São Paulo, presidentes de grandes bancos brasileiros evitaram comentar diretamente o assunto, mas deixaram recados velados sobre os riscos ao sistema. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que o setor financeiro “é uma das fortalezas do Brasil” e que “sempre aparece um risco novo, basta ler os jornais”.
A informação de que um banco brasileiro havia bloqueado o cartão de Moraes foi publicada inicialmente pela Folha de S.Paulo, mas sem citar a instituição.